Pubalgia

 

O que é a Pubalgia?

 

 

Nesse artigo estaremos definindo Pubalgia como as dores na região do púbis cuja origem está na articulação da Sínfise Púbica ou nos tecidos que se fixam na região (músculos, fáscias e ligamentos principalmente). Esse esclarecimento é necessário pois o termo Pubalgia é um termo genérico que corresponde a qualquer manifestação de dor na região do púbis. Ou seja, se existe uma dor nessa região, com ou sem inflamação, isso é uma Pubalgia (algia=dor). Sobre este ponto de vista, dores de origem infecciosa ou iniciadas a partir de vísceras também são consideradas Pubalgia. Devido a isso, é necessário o esclarecimento. Por outro lado, a definição que estamos usando pode ser definida como Pubalgia Atlética, ou Pubalgia do Atleta.

 

 

 

Sínfise púbica é a articulação que une os dois lados da bacia

 

 

 

E quais os subtipos de Pubalgia?

 

É difícil falar em subtipos, mas existem lesões que podem ser identificadas num caso de Pubalgia. É importante dizer que, em muitos casos, as lesões abaixo coexistem.

 

 

.Osteíte Púbica:

É um processo degenerativo da Sínfise Púbica, que ocorre devido ao stress de um lado da articulação “raspar” contra o outro. Na Osteíta Púbica se observa, nos exames de imagem, edema ósseo ao redor da sínfise púbica e outras alterações ósseas, que indicam uma degeneração local.

 

 

.Lesão dos Adutores no ponto de fixação:

Pode ser uma Tendinopatia dos Adutores (especialmente do Adutor Longo), Estiramentos no Tendão, Estiramentos do músculo Adutor, Entesites (lesão na transição entre tendão e osso. Vejamos abaixo:

      .Tendinopatia ou Entesite de Adutores:

      A Tendinopatia de Adutores envolve a degeneração, com ou sem processo inflamatório, dos tendões dos músculos adutores em seu ponto de fixação no púbis. Essas alterações podem, na verdade, não serem Tendinopatias em si, mas Entesites, ou seja, inflamação ou degeneração no ponto de transição entre o tendão e o osso onde ele se fixa. Os músculos mais freqüentemente afetados são o Adutor Longo e o Grácil.

      .Micro-ruptura do tendão dos Adutores

      A ruptura de fibras tendíneas no ponto de fixação no púbis.

      .Estiramento dos músculos Adutores

      A ruptura de fibras musculares próximas ao tendão pelo qual o músculo se fixa no púbis.

 

 

.Lesão do Reto Abdominal no ponto de fixação:

As mesmas condições que afetam os músculos adutores podem afetar o músculo Reto Abdominal em seu ponto de fixação.

 

 

.Lesões da Aponeurose Comum do Músculo Adutor Longo com Reto Abdominal:

A Aponeurose é um tecido fascial que é formado por fibras que saem do tendão desses músculos na região do púbis. Essas fibras se combinam, dando origem à Aponeurose, um tecido que funciona como uma ponte de ligação entre esses dois tendões.  Essa combinação faz com que lesões que afetem o tendão do músculo reto abdominal tenham influência no tendão dos Adutores, e vice-versa. Acredita-se que muitos casos de Pubalgia tenham origem em rupturas dessa Aponeurose.

 

 

 

A fixação do reto abdominal e dos adutores é próxima.

 

 

 

Qual a origem da Pubalgia?

 

Existem duas origens para a Pubalgia, a Pubalgia Aguda ou Traumática, e a Pubalgia Crônica.

 

.Pubalgia Aguda (Traumática): se inicia devido a um evento único que gera uma sobrecarga excessiva na Sínfise Púbica, fazendo um lado da Sínfise deslizar em relação ao outro, e machucando os tendões que se fixam no púbis.

 

.Pubalgia Crônica: é uma lesão por esforços repetitivos ou “overuse”. A maior parte dos casos de Pubalgia envolve essa origem. Estaremos falando mais dela a seguir.

 

 

 

Fale mais sobre a Pubalgia crônica?

 

A Pubalgia crônica (que compõe a maior parte dos casos de Pubalgia) é uma lesão por esforço repetitivo, ou seja, a sobrecarga contínua, repetitiva sobre as estruturas que se fixam no púbis, especialmente os tendões dos músculos abdominais e adutores, é a principal origem. Isso acontece, especialmente, se houver um desequilíbrio de forças entre esses grupos musculares mencionados, ou entre os lados do corpo. Neste último caso, a assimetria de movimentos entre os dois lados da bacia geraria uma sobrecarga assimétrica não somente nos tendões, mas na Sínfise Púbica também.

 

Outra possibilidade é a de uma limitação nos movimentos de um lado só da bacia, o que faria o outro lado se mover relativamente em excesso. Haveria uma sobrecarga assimétrica na Sínfise Púbica, assim como uma assimetria no uso dos músculos. E ainda há a possibilidade de uma frouxidão ligamentar, tornando a articulação da Sínfise Púbica mais móvel, favorecendo o surgimento da Pubalgia, seja pelo stress colocado na Sínfise Púbica, seja pela maior amplitude de estiramento dos músculos que se fixam no púbis (reto abdominal e adutores).

 

Atividades que façam uso de chutes e corridas com muita mudança de direção predispõem seus praticantes a este tipo de lesão justamente pelo tipo de exigência muscular assimétrica.

 

Na corrida, a cada passo, no momento em que temos uma perna apoiada e a outra oscilando, existe um pequeno deslizamento na Sínfise Púbica (o lado da perna apoiada sobe em relação ao da perna que oscila). Esse deslizamento, ocorrendo em excesso pelo treino em demasia, pode levar à Pubalgia.

 

 

 

E quais os sintomas da Pubalgia?

 

A Pubalgia vai causar dores na região do púbis que podem se estender pela região interna da coxa, se aproximando do joelho, sendo estas dores acompanhadas de fraqueza na adução (movimento de fechar a perna, aproximar uma perna da outra ou dar um chute de “chapa”). Essas dores acontecem especialmente quando se força a perna nesse sentido da adução. Além disso, traz dificuldades para chutes, mudanças de direção e “piques” (corridas curtas com aceleração rápida). Porém, muitas vezes nos casos leves, a dor praticamente não é sentida durante a atividade física, sendo sentida logo após. Esse é um fator que pode favorecer o agravamento da lesão. As dores podem se agravar, indo para a região do períneo e dos genitais.

 

 

 

 

Comentários   

 
#11 Magson Santos 03-11-2013 20:32
Boa tarde Doutor, faz uns três messes que sinto dores do lado direito do adutor. Quando flexiono as pernas verticalmente, sinto a cabeça do osso do fêmur estralar como se desencaixasse e encaixasse...é degenerativa, tem cura?
Desde já agradeço, e, aguardo resposta.
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#12 Claudio Rubens 04-11-2013 22:43
Citando Magson Santos:
Boa tarde Doutor, faz uns três messes que sinto dores do lado direito do adutor. Quando flexiono as pernas verticalmente, sinto a cabeça do osso do fêmur estralar como se desencaixasse e encaixasse...é degenerativa, tem cura?
Desde já agradeço, e, aguardo resposta.


Prezado Magson,

não dá pra sabermos. É necessária avaliação específica na presença de um profissional da saúde e, eventualmente, imagem de imagem paralelamente.


Atenciosamente,

Dr. Claudio Rubens
Fisioterapeuta
Crefito 3 - 45360-F
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#13 Rodrigo 09-05-2014 00:48
Doutor Claudio,

Sou atleta de final de semana. FUi diagnosticado com pubalgia. Na minha ressonância, ficou constatado uma lesão no Reto Abdominal do lado direito. Fiz várias seções de fisioterapia e melhorou a dor. Estou na academia há 3 meses para fortalecer, me sinto melhor. Porém tornei a jogar bola e me movimento muito bem, inclusive corro normalmente. Meu problema específico é ao chutar a bola de chapa e em alguns chutes. É normal que, mesmo eu ter lesionado essa região há mais de 8 meses, ainda sentir dor ao jogar bola? Estou certo em forçar a região para tentar voltar ao normal? Uma hora tem que normalizar! Vale dizer que iniciei essa semana trabalhos em casa com Exercícios Funcionais do Core. Achei bastante interessante.
Agradeço desde já.
Rodrigo.
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#14 Claudio Rubens 09-05-2014 19:41
Prezado Rodrigo,

muito difícil opinar sem detalhes. Dói sempre no contato com a bola? Qual a intensidade da dor, como fica no após o jogo? E no dia seguinte?

Sempre, antes de se liberar o atleta, deve haver a reintegração funcional à atividade esportiva, ou seja, realizar, progressivament e, atividades que mimetizem aquela realizada no esporte, até que a volta `a atividade seja total. De forma geral pode-se dizer que alguma dor poderá ser sentida, mas deve ser feita avaliação específica. Dor muito intensa, ao chutar, que permanece depois do jogo e piora no dia seguinte, por exemplo, sugere que a lesão não está curada.

Procure os profissionais que lhe atenderam e converse com eles.

Atenciosamente,

Dr. Claudio Rubens
Fisioterapeuta
Crefito 3 - 45360-F
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#15 vinicius 03-06-2014 02:59
Doutor, boa noite. Fui diagnosticado co ruptura parcial da aponeurose conjunta do reto abdominal / adutores a direita, estendendo-se à origem do tendão adutor longo.

Estou fazendo fisioterapia, mas tenho duvida quanto aos exercicios aplicados. O senhor poderia me dar ideia dos exercicios mais indicados na recuperação desta lesao?
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#16 ian de souza gomes 05-07-2014 13:40
Doutor, sou atleta profissional de futebol, e fui diagnosticado com abertura do músculo ileo-psoas com grau 2. Faz 4 semanas que estou tratando e fazendo reequilíbrio muscular, porém ando com uma pequena dor na região da abertura do músculo mas o meu púbis incomoda, se caso eu volte a jogar pode vir a se tornar pubalgia?
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#17 Claudio Rubens 05-07-2014 22:10
Citando ian de souza gomes:
Doutor, sou atleta profissional de futebol, e fui diagnosticado com abertura do músculo ileo-psoas com grau 2. Faz 4 semanas que estou tratando e fazendo reequilíbrio muscular, porém ando com uma pequena dor na região da abertura do músculo mas o meu púbis incomoda, se caso eu volte a jogar pode vir a se tornar pubalgia?



Puxa Ian, difícil dizer sem uma avaliação clínica. Seu púbis já doía antes? Essa dor é muito afastada da dor que você sentiu devido à "abertura" do íliopsoas?

O conceito de pubalgia, é dor ou sintomas referidos nessa região do púbis, e pode ter várias origens. Siga o tratamento e confie nos profissionais que lhe acompanham. Converse constantemente com eles a respeito e não se apavore, pois podemos sentir mais dores quando estamos com medo, muito receosos ou ansiosos.

Atenciosamente,

Dr. Claudio Rubens
Fisioterapeuta
Crefito 3 - 45360-F
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#18 Pedro 25-07-2014 00:13
Boa noite doutor.
Sou um "atleta de fim de semana" e à uns 2 meses senti uma dor na virilha após um passe no futebol e sem alongamento. Na ecografia não foi detectada nenhuma rutura nos adutores. Tinha e ainda tenho uma inflamação nos mesmos. Fiz uma ressonância magnética e também não nada foi detectado. Forcei a perna pois há pouco mais de um mês fui jogar futebol sem pensar nas consequências. A perna ficou ainda menos estável. Desde então parei completamente. Já tomei anti inflamatórios e a inflamação diminuiu. Hoje a doutora "fez" infiltrações e aconselhou a consulta de um "médico reumático". Já não sei o que fazer. Onde sinto mais e principalmente dor é na virilha e não na coxa. Tem alguma ideia do que possa ser??
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#19 Claudio Rubens 27-07-2014 19:58
Prezado Pedro,

muito difícil falar, seria necessário vê-lo pessoalmente.

Sua história parece ser de pubalgia, que necessitaria de fisioterapia (com gente que saiba tratar pubalgia). Mas, como disse, só avaliando presencialmente.

Atenciosamente,

Dr. Claudio Rubens
Fisioterapeuta
Crefito 3 - 45360-F
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